nave


sou navio carregado de diversas formas
a atravessar as ondas dos tempo.

fogo

uma criança

toca atabaques sob
a sombra de um ipê
seus cabelos em chamas
pedem minha atenção

aquário

cultivo peixes

uma lua em aquário
anuncia a chegada
de um ser luminoso
abaixo da superfície
todos se debatem
disputando uma parte
de mim

matizes

um universo de cores
invade minha percepção
respiro cada um dos seus matizes
em cada cor uma revelação
em cada luz uma forma
de reinventar o contrário
torço-me em espiral
para caber em minha existência

quasares

deitado
em absoluto repouso
observo as veias
pulsando
com a intensidade
dos quasares
mais longínquos
percebo cada ponto
ligado a outro ponto
a cabeça solta
destacada
dos membros
observa
com olhos de espanto
a subtração

dimensões

um buraco
se abriu no peito
revelou-se um abismo
do amor fez-se o ódio
e de tudo o que existia
nada restou
à medida que
as dimensões
se justapõem
compreendo
um pouco mais
sobre o todo
que me contém

caminhos

perdi a cabeça
embora tenha
feito tudo
para segurá-la
não resisti
outras esferas a detém
agora
meus pés
vagam pelos
caminhos
ressequidos
pelo tempo